Mostra Escalas Sônicas

entre 31/05 e 02/06, das 10h às 18h, na Galeria de Arte e Pesquisa

NanoSound
Giovanni Salice, Itália, 2016, vídeo, 6’

Essas imagens foram descobertas em 2013 no Centro de Nanomateriais Funcionais em Oak Ridge. Elas aparecem pela primeira vez numa tela mostrando nanoestruturas que nunca foram vistas antes. Entretanto, a ampliação física desses processos ainda é tão pequena que só pode ser descrita utilizando dados. De modo a tornar apreensível a camada mais profunda da matéria, esses dados foram transformados em sons utilizando-se um processo de sonificação.

Giovanni Salice é um artista interessado nos meios sônicos. É formado em Oboé. Atualmente, trabalha com sons microscópicos, gravações de campo e inteligência artificial.

 

Engi
Julian Scordato, Itália, 2016, vídeo, 7’15”

Engi é baseado na sonificação de dados estelares relacionados às constelações do polo norte. Parâmetros sonoros são representados graficamente de acordo com certos dados de observação e características físicas das estrelas. Complexidade é produzida por meio de uma rede de processos de retroalimentação que atuam diacrônica e sincronicamente. O trabalho faz parte da pesquisa do autor explorando o sequenciador gráfico IanniX, um programa desenvolvido a partir do UPIC concebido em 1973 pelo compositor Iannis Xenakis.

Julian Scordato estudou composição e música eletrônica no conservatório de Veneza. Fez mestrado em arte sonora na universidade de Barcelona sobre a documentação do software IanniX. É cofundador do Arazzi Laptop Ensemble e pesquisador do Laboratório de Processamento Sonoro do conservatório de Pádua. Trabalha como professor de música eletrônica no conservatório de Brescia. Já apresentou trabalhos em diversos contextos internacionais, entre os quais a Bienal de Veneza, o ICA – Londres e a Quadrienal de Performance de Praga.

It’s Alive!: o Cinema como Efeito Especial e a Fantasmagoria da Vida Inorgânica

palestra com Erick Felinto (UERJ)
sexta-feira, 02/06, 18h30

Para Sean Cubitt, o movimento constitui o primeiro “efeito especial” do cinema, um elemento que é instrumental para seu engajamento com a ideia de ilusão e uma “estética do espanto” (Cf. Cubitt, 2004, p.15). Em outras palavras, o cinema captura e manipula o tempo;  o cinema faz o mundo mover-se em suas imagens. Mas não se trata, de modo algum, unicamente dos movimentos dos seres vivos. Especialmente no âmbito do cinema experimental, poderíamos falar em uma tradição de “animação do inorgânico” (Papapetros, 2012), responsável por criar a ilusão de uma vida dos objetos. Todavia, foi apenas muito recentemente que a teoria do cinema passou a dar atenção a essa vida secreta das coisas. Indicações claras desse interesse podem ser encontradas, por exemplo, no trabalho de Rachel Moore, Savage Theory: Cinema as Modern Magic (2000) ou numa coletânea de artigos como a organizada por Volker Pantenburg, Cinematographic Objects: Things and Operations (2015). O objetivo deste estudo é mapear essa ascensão dos objetos nos domínios do cinema, investigando seu protagonismo precisamente num cenário epistemológico marcado pelo declínio do antropocentrismo e pelo fascínio com a agência das coisas. A hipótese discutida aqui é que o cinema constituiu um dos primeiros campos de experiência da modernidade com o caráter estranho (unheimliche) da vida dos objetos, ao mesmo tempo fonte de ameaça e sedução para o sujeito moderno.

Erick Felinto é doutor em Literatura Comparada pela UERJ/University of California, Los Angeles, e tem pós-doutorado em Estudos de Mídia pela Universität der Künste Berlin. É pesquisador do CNPq e professor associado na UERJ, onde realiza pesquisas sobre cinema e cibercultura. É autor dos livros Avatar: o Futuro do Cinema e a Ecologia das Imagens Digitais (Sulina, com Ivana Bentes) e O Explorador de Abismos: Vilém Flusser e o Pós-Humanismo (Paulus), entre outros.

Pesquisa artística: Hugo Cristo e Paola Barreto

sexta-feira, 02/06, 16h30

Demoscene: arte computacional em tempo real
Hugo Cristo (Ufes)

A demoscene é um movimento iniciado em meados dos anos 1980 na Europa, combinando computação gráfica 2D e 3D em tempo real, música e ilustração digital na elaboração de programas executáveis denominados “demos” (abreviação de demonstrations). Os demogroups, coletivos criados por jovens programadores e artistas para desenvolver os programas, têm dinâmica particular de produção, distribuição, discussão e avaliação das demos por meio de eventos temáticos e redes sociais. Nos últimos 30 anos, a demoscene desafiou os limites de processamento dos computadores pessoais, influenciando as indústrias de animação, jogos, música digital e de software. Esta apresentação oferecerá um panorama da demoscene enquanto forma de expressão artística e plataforma de experimentação para a computação.

Hugo Cristo possui graduação em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Espírito Santo (2003), mestrado em Psicologia (2007) e doutorado em Psicologia (2014) pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo (Departamento de Desenho IndustrIal). Coordena o Laboratório e Observatório de Ontologias Projetuais – LOOP, orientando pesquisas nas articulações entre Design e Psicologia. 

 

Arqueologia e Fantasmagoria: entre evidência, vidência e clarividência
Paola Barreto Leblanc (UFRJ)

Nesta investigação acerca da materialidade dos meios, o cinema, em seu sentido expandido, é tomado como forma de aparição que revela um campo psicogeofísico onde a imaginação tem força de invocação. Por meio de um trabalho cartográfico que reúne estratégias narrativas ficcionais atravessadas pelo imaginário de um cinema que falta, o Cine Fantasma se constitui como ação crítica de um modelo industrial em crise, buscando, nos escombros dos cinemas abandonados, um cinema que nunca existiu, um cinema por vir. Ao analisar o progressivo fechamento de salas de exibição tradicionais, propomos uma reflexão sobre a potência da imagem animada, produzindo uma microarqueologia de lugares em vias de desaparecimento.

Paola Barreto é artista audiovisual e pesquisadora. Por meio de uma produção prática e teórica que se desdobra entre circuitos de vídeo eletrônicos e digitais, fantasmagorias e sistemas híbridos, desenvolve sua pesquisa “Cinema vivo e mídias mortas”. Participou de exposições no circuito Sesc em diversas cidades brasileiras, além de festivais internacionais como Vorspiel/Transmediale, em Berlim, Live Performers Meeting, em Roma, e Live Cinema, no Rio de Janeiro. Formada em Cinema pela UFF e Mestre em Tecnologia e Estéticas pela Escola de Comunicação da UFRJ, é doutora em Poéticas Interdisciplinares pela Escola de Belas Artes da UFRJ. http://cargocollective.com/paoleb