Realidade virtual como trajetória: observações e provocações

palestra com Michael Naimark
quarta-feira, 31/05, 10h

A realidade virtual parece ter chegado ao mainstream repentinamente, com uma voracidade raramente vista, especialmente no Vale do Silício e em Hollywood. Investimentos estão fluindo, e as oportunidades se multiplicam. Mas com a velocidade e o crescimento também aparecem o caos, a confusão, a miopia e o hype vazio. Os próprios termos “realidade” e “virtual” estabelecem expectativas bastante altas. É hora de respirar fundo e dar um passo atrás. A arte e a ciência dos ambientes imersivos mediados possuem uma longa e rica história, da qual a RV pode ser vista como um píncaro revolucionário. Compreender essa evolução nos auxilia a compreender seus últimos desenvolvimentos. O estado atual da realidade virtual abre espaço para que a comunidade criativa que por tanto tempo esteve envolvida no seu desenvolvimento tenha um impacto excepcional. Michael Naimark possui um vasta experiência participando de projetos de pesquisa e de arte que antecederam a popularização da realidade virtual em décadas. Ele vai apresentar alguns de seus trabalhos como marcos em uma trajetória maior, na esperança de abordar alguns pontos de interesse contemporâneos tais como presença e abstração, produtores e participantes, entusiasmo e criticidade, e globalização e hegemonia. Michael também irá demonstrar aspectos de seu trabalho atual, que busca explorar nichos no ecossistema de realidade virtual, particularmente os sistemas interativos baseados na captura do mundo real por câmeras.

Michael Naimark é produtor, inventor e pesquisador nos campos da realidade virtual e da arte em novos meios. Ele é mais conhecido pelo seu trabalho com mapeamento de projeções, com o Google Street View, com transmissão global de vídeo e com patrimônio virtual – um corpo de obra ao qual frequentemente se refere como “representações de lugar”. Naimark possui dezesseis patentes referentes a câmeras, displays, sistemas hápticos e transmissão ao vivo. Seu trabalho já foi visto em mais de 300 exposições, festivais de cinema e apresentações ao redor do mundo. Ele já dirigiu projetos com o apoio de companhias como Apple, Disney, Atari, Panavision, Lucasfilm, Interval e Google; e também da National Geographic, Unesco, Fundação Rockefeller, Exploratorium, o Banff Centre, Ars Electronica, ZKM e o metrô de Paris. Desde 2009, integra o corpo docente da Divisão de Mídias Interativas do departamento de Cinema da Universidade da Califórnia do Sul, do programa de Telecomunicações Interativas da Universidade de Nova York e do Media Lab do MIT. Em 2015, Naimark foi contratado como o primeiro “artista residente” da Google, no seu recém-criado departamento de realidade virtual.