Apresentação

A conferência Besides the Screen começou em Londres em 2010, organizada por candidatos do programa de doutorado em Media & Communications do Goldsmiths College. O evento surgiu com o objetivo de reunir projetos de investigação dedicados a um assunto aparentemente secundário no campo de estudos do cinema: as suas instâncias de distribuição e consumo.

Já na época, parecia importante fomentar o debate acerca desses tópicos, considerando que alguns dos efeitos mais significativos causados pelas redes de computação nos meios audiovisuais estavam ligados não à produção da imagem, mas sim à emergência de novas dinâmicas de circulação – das trocas peer-to-peer aos dispositivos móveis, do VJing ao video-on-demand.

No rastro desse deslocamento temático, o que também aparece é uma transformação nos modos de compreender o meio, menos atrelados à tradicional abordagem do filme como texto e mais atentos aos pretextos, paratextos e contextos que o constituem como tal. Recusando a sedução fácil da imagem, uma perspectiva à parte das telas nos permite vislumbrar certas dimensões materiais, econômicas e sociopolíticas que ela normalmente ofusca. Com isso, obtemos renovado acesso a questões ambientais e ontológicas cada vez mais prementes.

A realização desta segunda edição do evento no Brasil se debruça sobre os Métodos e Materiais da Curadoria, ressaltando a importância das práticas curatoriais tanto para o trabalho com imagens em movimento quanto a partir delas. Dando corpo a circuitos e acervos, a curadoria proporciona territorialidade e historiografia ao filme, colaborando na constituição dos espaços-tempo nos quais ele pode vir a existir. Nesse sentido, lhe cabe um papel fundamental para o desenvolvimento do cinema frente à voracidade tecnológica. Com seu potencial de definir formas para apresentar as novas modalidades de imagem e preservar as antigas, não seria a curadoria capaz não apenas de perguntar o que será do cinema, como também de inventar respostas para essa questão?

O evento reúne pesquisadores, artistas, arquivistas e curadores (que atuam tanto de maneira independente, quanto junto a algumas das mais importantes instituições audiovisuais do país) para discutir as possibilidades de um cinema que poderia abranger desde a projeção de slides e a recuperação da bitola super8 ao vídeo computacional e outros processos de audiovisual generativo.