2017 – Painel – Audiovisualidades

São Paulo: 27/11, 14h30, Auditório A, CTR/ECA, USP

O experimentalismo superoitista, dos anos 70 aos dias de hoje: Estéticas de meta-resistência? (Rubens Machado Jr)

Entre o Super-8 experimental dos anos 70 e os dias de hoje sucederam-se com o advento do neoliberalismo uma série de modismos e ciclos — pós-moderno etc. Interrogamos a pouca pesquisa desde então e o esquecimento histórico das experiências sociais radicalmente questionadoras do progresso da indústria cultural, de par com o declínio do seu debate político.

 

A interdisciplinaridade selvagem (II): Sinestesia, Cromossonia, Visual-Music, live-cinema (Sérgio Basbaum)

A contar dos desenvolvimentos conceituais e técnicos iniciais, as primeiras pesquisas que permitiram formular o conceito de Cromossonia datam do início dos anos 1990. De lá para cá, mais de 20 anos de trajetória em várias mídias e derivas de pesquisa permitiram um entendimento necessariamente aberto dos conceitos de Sinestesia, Cromossonia e Visual-Music, que desagua numa confiança nas possibilidades, no sentido e na potência da performance coletiva audiovisual.  Em meio ao dilúvio das imagens técnicas, essas duas décadas também testemunharam a emergência de inúmeras poéticas de som e imagem, eventualmente imersivas e sinestésicas, num contexto que chamei de “percepção digital”. Os trabalhos realizados recentemente com os coletivos Plano Z (2013-14), Pantharei (2012-14) e  L!QU!D!F!CADOR (2015), fizeram conceber a prática performática audiovisual como acontecimento em que as noções de circunstância, presença, risco, atenção, contraponto e polifonia se impõem na busca do devir poético por meio do qual a arte, a seu modo, faz mover o mundo.

Sérgio Basbaum é multiartista e pesquisador. Músico, bacharel em Cinema (ECA-USP), mestre e doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), com pós-doutorado em filosofia (UNESP). Professor do programa de pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) da PUC-SP, é autor de Sinestesia, Arte e Tecnologia (Annablume-FAPESP), além de diversos artigos publicados no Brasil e no exterior. Possúi dois álbums de composições originais no terreno música instrumental e da cançaõ popular, e diversos trabalhos realizados como artista, empregando diferentes suportes e mídias. Atualmente, dedica-se a pesquisas de improvisação audiovisual envolvendo recursos análógicos e digitais, em trio com o video-artista Rodrigo Gontijo e o sintesista Dino Vicente.

 

Pioneiros da artemídia no Brasil (Sílvia Laurentiz)

Termos como multimídia ou artemídia são abrangentes, como resultado do surgimento de um campo de discussão que cruza arte e comunicação. A partir de um breve histórico, apresentaremos artistas brasileiros que desde os anos 50 são precursores de um modo de pensar que organiza um sistema com unidades complexas de informação (com estrutura em hipertexto, utilizando diferentes modos de representação) que se liga a um contexto maior, uma rede, ou estrutura de outra grandeza. E, a partir do final dos anos 80, ampliam-se as possibilidades com o uso de múltiplas plataformas, diferentes dispositivos e formatos, bancos de dados, resultados diretos do desenvolvimento tecnológico na área da informação. Recuperar estes artistas pioneiros não tem a intenção de um retorno-ao-evento em si, mas antes, procura: a) apontar como certas dinâmicas sígnicas já percorreram extensos caminhos; b) que certa tecnicidade acompanha sempre toda uma produção de sentidos; c) como estes trabalhos precursores explicam o desenrolar dos procedimentos atuais; d) e, finalmente, como o termo mídia não dá conta desta produção de artistas.

Silvia Laurentiz é Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP); Professora Associada da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP); Professora e Orientadora do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais e de Graduação em Artes Visuais do Departamento de Artes Plásticas; Artista Multimídia; Coordenadora do Grupo de Pesquisa Realidades.